terça-feira, 29 de abril de 2014

São Luís e a dor de quem te ama.

São Luís cidade... 
Rua Portugal - Centro Histórico - São Luís - Ma
Falta-me ar para completar a frase que tão facilmente saia da minha boca. Da minha boca, do meu coração e dos versos que desavergonhadamente escancaravam, para quem quisesse ouvir, o meu amor por esse lugar. 

Amor pelo sons, pela beleza, pela tranqüilidade, pelo ar interiorano de uma capital que sempre inspirou os poetas e sempre me deu alegrias. Amor ferido pelo abandono, pelo descaso, pelo arrogância, pelo individualismo, pelo "não posso", pelo "não dá", pela burocracia, pelo desgoverno, pela falta de cidadania e pela insegurança.

Hoje, só hoje, gostaria de olhar para minha cidade e sentir o que eu sentia há dez anos quando andava pelo Centro Histórico; a tranqüilidade e o prazer de saber que eu podia  passear por aquelas ruas sem correr o risco de ser assaltada, sem me enojar com o lixo, sem perder horas a fio nas paradas de ônibus, sem me envergonhar com olhar indignado dos turistas que tropeçam nos buracos e se perdem sem informações em plena cidade turística, sem testemunhar a queda dos imponentes casarões. 

Dez anos se passaram e pouco foi feito. São Luís, a Athenas Maranhense, terra de Ferreira Gullar, está perdendo seus encantos. Nem mesmo as praias, nem o carnaval, nem o bumba meu boi são capazes de distrair a minha tristeza. 

E como não ficar triste? Como cantar versos sinceros de amor por uma cidade onde o asfalto não dura, a saúde não atende, a escola não funciona, o transporte não chega, o trânsito não flui e as promessas não se cumprem?

Eu queria recitar meus versos, mas, minha cidade e o meu Estado não cabem no poema.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pagando caro, comprando 'resto'

- Olha a xepa! 
- Xepa no supermercado
- Tudo sem nenhum desconto!
- É isso aí minha senhora!
                                    
Só falta isso! Um vendedor animado, batendo palma enquanto você escolhe o tomate menos amassado na gôndola do supermercado. E não importa o dia da semana, tem sempre fruto podre, verdura amassada, banana estragada ou verde demais pra você disputar com os outros clientes pra ver quem consegue pegar o produto menos estragado.

Imaginem essa cena:

Três donas de casa de olho no único tomate que não está bichado. De repente uma estica a mão para pegar e a segunda - mais rápida - pega o fruto coloca na sacola e vai embora feliz. A terceira dona de casa de frente àquela pilha de tomate amassado suspira, tristemente, e fala pra todo mundo ouvir:

- Que falta de respeito! O quilo do tomate custa quase 4 reais e ainda tenho que 'garimpar' se quiser comer salada.

Mesmo insatisfeita ela consegue levar 3 tomates pra casa.

Esse absurdo é a nossa realidade. Estamos sendo obrigados a consumir 'lixo' e pior a única opção que nos resta é não levar o produto pra casa. E ainda tem o problema do leite - soda cáustica - dos produtos vencidos, dos agrotóxicos, do valor que, misteriosamente, aumenta na hora que você vai pagar o produto.

Pergunte se o produto alimentício exportado do Brasil para países como os EUA têm a mesma qualidade do produto que é vendido em nossos supermercados. Claro que não.

Não existe preocupação.

A vigilância sanitária não dá conta de fiscalizar ou faz vista grossa? Porque essa prática é comum. Quem é que nunca levou carne estragada pra casa? Os supermercados trocam a etiqueta de validade e você com pressa, muitas vezes, não nota que dentro da embalagem a borda da carne está esverdeada e fica por isso mesmo, porque, dificilmente, você volta ao supermercado com a carne estragada pra receber o dinheiro de volta.

O problema se repete muitas vezes com os ovos, o bacon, o presunto, o arroz com cheiro de barata e se eu for citar serão inúmeros outros exemplos de como estamos sendo tratados pelos empresários que - claro - só pensam no lucro.

É por essas e outras que a saúde tem sido um dos principais problemas do pais. O que você come implica diretamente na sua saúde e se você come esse lixo vendido nos supermercados brasileiros é possível que a sua saúde esteja correndo risco.

A xepa da feira não é de todo ruim porque, pelo menos, o desconto é maior e você compra sabendo que é xepa, mas o que acontece nos supermercados é deveras lamentável.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Depender de Plano de Saúde em São Luís é um desastre

Desprezo, banalização,comércio, desumanização, estas são as palavras que me vem à cabeça quando o assunto são os planos de saúde que 'funcionam' em São Luís, capital do Maranhão. Infelizmente, essa não é apenas a nossa realidade. No país inteiro encontramos exemplos de descaso com a saúde do brasileiro, na rede pública e na rede privada.


  O caos instaurado na capital com a falência do Plano Unimed ainda traz consequências inquietantes para quem depende desse tipo de assistência. A solução encontrada pela ANS, agência que regula os planos de saúde, foi a portabilidade. Cerca de 25 mil usuários  do serviço da Unimed/São Luís ganharam esse  prêmio de consolação  que deu a eles o direito de migrar sem carência para outros planos.


  Mas, para quais planos? Ouvi da própria representante da ANS no nordeste que o papel da agência era apenas o de regular e de impedir que planos que não atendem as resoluções do órgão comercializem seus produtos. "Se São Luís não pode contemplar todos os usuários do plano "falido" é um problema de mercado, a ANS não pode resolver isso". A resposta me deixou desolada. Nós maranhenses mais uma vez estávamos jogados à própria sorte.


  Como tudo é comércio, os planos de saúde que funcionam na capital iniciaram uma corrida voraz para captar os usuários da cooperativa falida. Quem pode pagar, o mínimo que seja, faz o plano porque sabe que não pode confiar na saúde publica. Resultado: O que era ruim ficou pior. 


  A dificuldade para marcar consulta aumentou, as opções de especialistas continuaram limitadas, o tempo de espera no consultório também aumentou e o tempo da consulta diminuiu. Um médico recebe por hora trabalhada, mas os planos por número de atendimento e é por isso que ao chegar no consultório você se depara com um média de 30 pessoas agendadas para uma manhã, ou tarde. Para o plano somos no final das contas, mero consumidores, nossa dor foi transformada em números e o serviço desumanizado.


  Minha experiência com o Hapvida é muito semelhante às experiências de outros usuários e posso enumerar vários exemplos, mas vou contar apenas o último: No dia 22/03/2014 fui até o único laboratório disponibilizado pelo valor do serviço pago por mim mensalmente,     fiz exames laboratoriais para uma pequena cirurgia marcada para o dia 17/04 e os exames que estavam previstos para receber no dia 26/03 - hemograma, lipdograma, fator Rh, tiragem sangüínea, coagulograma, etc - até o dia 11/04 não estavam prontos. 


 No dia 11, perdi uma manhã inteira no laboratório para receber os exames e ainda sai de lá com as mãos vazias. Perdi a consulta no cardiologista, precisei remarcar. Me irritei, me estressei e sofri. A sensação de impotência diante de tanto descaso é horrível.   O que está claro para mim sobre esta operadora é que se não falta serviço então, não existe preocupação em prestar bem esse serviço. 'Vá reclamar com a coordenação do Guarás - grupo que comercializa o plano - ' foi outra indicação da funcionária mal humorada.


  Pois bem, estou reclamando mais uma vez. Tive problema pra marcar consulta, pra ser atendida, durante os procedimentos, para fazer exames e para receber exames. Eu não sou a única e considero absurda a situação dos usuários de todos os planos de saúde da capital.

   É claro que vou ligar na ANS, mas pra que mesmo? Pra fazer a minha parte.